quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Por que ler " A Hora da Estrela " de Clarice Lispector? Não é bonito e nem gostoso.

 Como gostar de algo que nem é gostoso ou bonito? A arte é assim, importa é causar-nos algo!


Perdão, queridos leitores , por expressar aqui a minha opinião que talvez seja até um pouco absurda frente ao amor que temos por Clarice.
 Talvez seja o MEU problema antigo com romances psicológicos, fluxo de consciência, essa coisa do narrador que conversa conosco e também a minha dificuldade  com novelas.
Enfim, não me odeiem! Se digo que esse não é um livro bonito, não estou dizendo (de maneira nenhuma) que seja um livro feio.
Prefiro dizer que é um livro essencial! Assim como Clarice! 
É uma prosa sofisticada, elaborada , mas com simplicidade. Cheia de inventividade e de estímulos aos nossos sentidos. 
Talvez o meu texto até faça algum sentido para quem já leu "A hora da estrela", ou cause imensa revolta. Eu não sei.
Agora, eu apenas me sinto como o Rodrigo , o personagem narrador, com aquela necessidade de falar dessa novela, "senão eu explodo" .
 Provavelmente meu texto terá spoiler, não leia!
Se eu amei esse livro? Não! Mas se precisava tê-lo lido (após 3 tentativas) e se recomendo a outras pessoas? Sim! Mil vezes sim!
A hora da estrela não chega a 100 páginas, mas não é um livro sem pausas, daqueles que dá para ler numa tacada só. O livro é cheio de confusão, reflexão, estímulos e ansiedade, como a mente da própria autora e dos gênios da literatura.
Não é uma história encantadora, chega a ser chata em alguns momentos. Não pela falta de tempero de Macabea, mas pela confusão do próprio Rodrigo (Clarice) e por todas as suas justificativas da dificuldade de escrever a história e de traduzir a personagem.
É a história da moça Macabea, Alagoana ,pobre, virgem, mal-tratada pela tia,que vai morar no Rio de Janeiro, só se alimenta de cachorro quente e coca-cola e que arruma um emprego de datilografa. Não podemos nem dizer que é a história de uma moça sofrida, porque Macabea parece não perceber o quão triste é ser Macabea.

É a história do Não-ser, a história de uma NEM! Ela não é nem bonita, nem refinada, nem inteligente, nem amada, nem engraçada, nem tem dinheiro, nem tem nenhuma grande virtude que se destaque; mas também não tem revolta e nem um grande defeito para que a odiássemos. 
. Ela parece NEM ter consciência do que é ou não é, mas até que ostenta um certo orgulho em ser virgem e datilógrafa.
Um final que eu desobedientemente odiei... Apesar dele fazer todo sentido. Sei que esse final Epifânio tem seu valor e sou eu quem tenho problemas com esse desfecho. Mas confesso que eu fiquei esperando pelo momento do triunfo, da glória, dos vestidos de cetim, dos cremes em potes que davam vontade de comer e de um amor apaixonado para Macabea.
No entanto, penso que o grande triunfo, o estrelato mesmo, desse livro está na emoção que ele nos causa, que transcende a reflexão que a Clarice propõe sobre as milhares da Macabeas do Brasil. 
Leia sim " A hora da estrela", não para ter um encontro delicioso com uma grande história, mas para ter se encontrar deliciosamente com uma grande escritora.

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