domingo, 28 de maio de 2017

Amor Segundo Buenos Aires, o livro de Fernando Scheller.

 Creio que esse seja um livro que muita gente quis ou queira ler, pelo título maravilhoso, que une Amor e Buenos Aires. Esses dois ingredientes parecem a mistura perfeita para um livro já ser, no mínimo, interessante. E esse livro é muito mais.



  Eu sou apaixonada por Buenos Aires, então foi meio obvio que eu o comprasse, assim que soube de sua existência. Devo confessar que apesar de empolgadíssima, tive um certo receio que esse fosse apenas mais um livro, água com açúcar, com um super título. Já que esse é o primeiro romance de ficção do autor brasileiro Fernando Scheller, que é jornalista do jornal O Estado de S. Paulo e que já passou por diversos outros. 

A descrição no site da editora dizia que  "Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller... Em O amor segundo Buenos Aires, Scheller oferece a cada personagem a chance de narrar suas escolhas e percepções sobre diferentes formas de amor, como entre pai e filho, um homem e uma mulher, dois homens e também entre amigos."


Dessa forma, tomemos o exemplo do primeiro capítulo. Temos, Leonor segundo Hugo. Hugo descreve que foi por amor que ele, personagem principal, deixou o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não tenha sobrevivido, ao longo do livro, e isso não é spoiler porque consta na descrição do livro; a relação de encanto e fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que ele sofre de uma grave doença. (Também não é spoiler, eu juro!)

A narrativa é adorável. A prosa de Fernando Scheller é muito envolvente e democrática. Praticamente todos os personagens possuem sua voz no livro e opinam sobre os outros personagens. A estrutura é mais ou menos a seguinte: Fulano segundo Beltrano. E é aí que conhecemos um pouco mais da vida do Beltrano. E quando ele descreve sobre Fulano, nos dá pistas que serão confirmadas, ou  não, no capítulo seguinte. Quando Fulano terá a sua voz no livro. (Será que deu para entender? rss) (Eu mesma precisei reler esse parágrafo para confirmar o que escrevi.)


Hugo desenvolve uma das amizades mais doces,  que eu já vi em tudo que já li de literatura contemporânea, com  o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina. Essa relação de amizade vai evidenciar o poder regenerador das amizades verdadeiras.  O livro também enfatiza a relação de Hugo com o pai e a relação mais complicada com a mãe. Seu pai, Pedro, acaba trocando a rotina de um casamento desgastado por uma vida totalmente diferente, mas cercada de sentimentos singelos, doces e grandes afetos. Cada personagem tem a oportunidade de contar a sua versão dos fatos, numa trama absolutamente democrática. Não me recordo onde li ou se ouvi, algo em que diziam, que é impossível não se encantar com a presença de espírito e o senso de humor de Carolina, a lealdade de Eduardo, a maturidade e a determinação de Daniel, o jeito peculiar de Charlotte. Em comum, esses personagens adoráveis têm uma enorme capacidade de amar.

As relações de amizade, os relacionamentos afetivos, as diferentes formas de amor, os diferentes erros, as complicações próprias do amor e a complexidade do ser humano ao se relacionar são abordadas de forma sensível e real, nesse romance. Talvez um dos pontos mais tocantes seja que as histórias aqui são histórias possíveis, e os seres humanos aqui, são mostrados com seus fracassos, temores, tristezas, alegrias, mas principalmente com as suas capacidades de resiliência e amar novamente. A relação familiar com seus dramas e angustias reais como na maioria das família reais, são um plus à parte. Eu gosto muito de livros que fogem do comercial de margarina e daquela coisa inacessível.  Com toda essa boa mistura para um romance temos ainda a capital Portenha, descrita com toda propriedade de quem conhece bem os lugares. Cada inicio de capítulo é apresentado com uma mapa mostrando lugares  peculiares de quem tem mesmo uma relação com Buenos Aires.


Quem já conhece e gosta de BsAs terá vontade de sair correndo para lá. Quem não conhece também terá vontade de conhecê-la.  A decadência de algumas partes, e contraditoriamente a capacidade de se manter em pé, da capital, também são constantemente insinuadas de uma forma tocante ao coração. Daquele jeito que te dá uma dorzinha de pena, mas ao mesmo tempo uma admiração porque Buenos é f...  E Ela se mantem de pé, linda, receptiva e encantadora. O final do livro, o último capitulo, foi um plus. Bem encantador e original. Adorei o desfecho e deu aquele ar de terceira opinião, ou conclusão. Como se um segundo leitor ou observador dividisse a opinião dele sobre tudo que se passou, conosco.O livro é muito bacana e eu super recomendo. ;)


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