terça-feira, 21 de junho de 2016

Livro - A Menina de Neve - Minhas Impressões!

 Olá Conectadosssssss!

 Eu posso dar 5 estrelas para um livro que tocou meu coração profundamente, mas que torceu meu estômago em pedacinhos, quando descrevia as mortes rotineiras dos animais do Alasca? Seja para alimentar ou aquecer os homens daquela região, essa foi a parte complicada da leitura.

   A menina de neve, da autora Eowyn Ivey, Editora Novo Conceito, é uma história tocante, comovente e linda; que tem como cenário: A vida agrícola, difícil e exaustiva, no Alasca dos anos 20. Confesso que ler as descrições das mortes dos bichinhos foi a parte conflitante, durante toda a leitura. Mesmo que eu compreenda que a vida humana, naquelas condições, praticamente dependa disso; ler, por exemplo, que um coelhinho serve de pele para aquecer foi bem sofrido!

 Contudo, devo dizer que faz muito tempo não lia um livro tão comovente, que narrasse uma mistura de vida absolutamente simplória com um Q de fantasia e ficção. É difícil ser objetiva para falar sobre esse romance, mas posso dizer que é sobre o amor. Sim, o amor... O amor daqueles que alimenta, que acode, que preocupa, que ajuda, consola, horas desola; mas que dá sentido à existência.
  A história, narrada em terceira pessoa, mostra um casal, cinquentenário, Jack e Mabel, que vive uma vida essencialmente agrícola nas terras remotas do Alasca, nos anos 20. Conhecer a vida num lugar isolado com tantas dificuldades para sobreviver, foi um cenário totalmente novo e curioso para mim. Uma terra onde o calor é excessivo, o inverno é violento, o dinheiro é muito escasso, o alimento tem que ser conseguido e produzido, pelas próprias mãos. 
  Os dois partiram da cidade grande para fugir de sua antiga vida, em razão da dor que sentiam por não terem tido filhos. O sofrimento, especialmente do ponto de vista da Mabel, ficou muito claro no texto. Eles tentavam evitar as lembranças, da perda do único bebê que geraram, lembranças do convívio social, do medo de fofocas, perguntas e até de olhares piedosos. O casal largou tudo para viver numa pequena cabana, sobrevivendo da terra. 
 Eu preciso dizer que as primeiras 40 páginas pareciam se tratar apenas de algo lento e com uma vibe depressiva. Um diário de lamentações e tristeza que quase me fez perder a fé sobre o livro ter sido finalista do Prêmio Pulitzer. 
 Porém, à medida que a história avançou, eu fui cativada e fisgada. Talvez por estarmos num período de inverno intenso, eu me sentia vivenciando o frio descrito ali nas cenas. Na primeira nevasca do casal, naquelas terras, houve um momento bem inesperado de sintonia e felicidade, entre os dois. O casal fez um boneco de neve juntos e desfrutou de uma noite muito especial e divertida. Enfeitaram o boneco com cabelinhos, narizinho, como se fosse uma menina. Ainda a decoraram com luvas e cachecol, vermelhos. 
    No dia seguinte, surpreendentemente, a boneca, estava toda bagunçada e com seus acessórios roubados. A partir dessa parte foi difícil largar a leitura. Aqui, com a chegada da personagem que deu nome ao livro, tudo começou a ficar mais intrigante. Uma garotinha loira que vivia na floresta e apareceu usando as luvas e cachecol, em companhia de uma raposa vermelha.
  Há um Q de mistério e fantasia que nos leva a devorar o livro para descobrir "quem" ou "o que" é essa garota. Esse romance foi inspirado num folclore Russo, uma história muito famosa na Russia, chamado " Snegurochka", a Donzela de Neve. Eu já conhecia esse conto de fadas e isso atrapalhou bastante minha leitura. Li "A Menina de Neve" com medo, durante todo o tempo, de que o final fosse um fracasso ou exatamente como o do conto. 
 Entretanto, a história segue com tantas surpresas e desvios que fui levada a mil reflexões paralelas. São problemas típicos da sobrevivência no Alasca, problemas do próprio casal com suas dores, pensamentos sobre a vida e importância do amor da amizade; que o foco acabou não ficando somente em quem era a menina Faina. 
 Um livro surpreendente, com personagens cativantes e absolutamente apaixonantes. Todos, nessa história, possuem alguma característica muito especial e que fez com que eu me apegasse verdadeiramente aos personagens, mesmo os secundários. A forma como a autora trabalhou os sentimentos, o cenário e o mistério foi muito delicada e cuidadosa.
 Eu recomendo essa leitura, apesar de ter sofrido com a morte dos animais. Ele não é uma discussão sobre a cadeia alimentar e sobre a "supremacia" dos homens; mas sim um relato fiel à maneira como a vida se desenvolvia, naqueles tempos e naquelas terras. Creio que o principal ponto, em todo o texto, tenha sido o amor. Uma leitura que nos mostra o quão importante é ter quem amar e ter com quem contar. Somente o amor é capaz de dar fôlego tanto no calor, como aquecer uma casa, na neve e frio. Em suma, o amor aquece os corações e ele é a força capaz de fazer nova todas as coisas.




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